Procedimentos estéticos e seus perigos
Pessoal,
É impossível passar um dia sem ver dezenas de fotos e vídeos de pessoas conhecidas e de celebridades em nossas redes sociais.
Segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil é o hoje o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Em 2018, foram 1 milhão e meio de procedimentos realizados no país e 87,4% deles em mulheres.
De jovens a pessoas mais experientes, a vontade de se arriscar para ter uma boa aparência tem crescido rapidamente nos últimos anos. Se, por uma lado, relacionar-se bem consigo mesmo é algo positivo e desejável, por outro a busca pela “selfie perfeita” pode levar a transtornos, obsessões e à procura por tratamentos “milagrosos” e extremamente perigosos. Afinal, “novos” tratamentos estéticos surgem a todo momento, e nem todos são testados ou têm sua eficácia/segurança comprovada.
Para quem acha que entrar no centro cirúrgico para melhorar a estética é perigoso, há diversas opções menos invasivas que surgiram nos últimos anos e que tem atraído milhões. Tratam-se de “procedimentos estéticos não-cirúrgicos”, também chamados de “minimamente invasivos” ou termos similares.
Apesar dos tratamentos não-invasivos serem menos perigosos do que os procedimentos cirúrgicos, ainda assim eles não são isentos do risco.
O problema é que por trás dessas promessas maravilhosas, encontram-se profissionais não qualificados que acabam fazendo tratamentos médicos, nas áreas de Dermatologia e de Cirurgia Dermatológica, sem qualquer qualificação e estudo, e em locais sem as mínimas condições de higiene e segurança, levando seus clientes a sequelas, muitas vezes irreversíveis, como cicatrizes e deformidade, e tragicamente, à morte.
Na ilusão de uma resolução rápida, fácil e barata de seus problemas, pessoas tem sido vítimas de profissionais não médicos e até mesmo médicos sem qualificação. A bula desses produtos, como preenchedores, toxina botulínica, recomenda o uso médico, e para ser capaz de aplicar adequadamente essas substâncias e realizar lasers e cirurgias, o dermatologista passa por um exaustivo treinamento de mais de 8.000 horas para se qualificar.
Para evitar tragédias como essa, simples cuidados garantem o sucesso de um tratamento e evitam dissabores ou riscos:
1) Procedimentos médicos invasivos devem ser realizados por médicos dermatologistas devidamente treinados e hábeis. Para ser especialista deve-se ter um registro especial: RQE (Registro de Qualificação de Especialidade). Só quem tem o seu registro no CFM é especialista. Como checar? www.cfm.org.br ou www.sbd.org.br;
2) Médicos só podem atender em clínicas. Atendimentos em casa, hotéis não são adequados, pois não oferecem as condições sanitárias e de segurança necessárias.
3) Fuja de avaliações gratuitas e de profissionais que não tem endereço fixo e ficam migrando de cidade em cidade.
4) Não existem milagres: tratamentos muito baratos, com parcelamentos à perder de vista são perigosos. Tudo tem custo. Bons produtos custam caro e bons profissionais estão sempre se atualizando, indo a cursos, congressos para aprimorar seus conhecimentos. Além disso, as clínicas dermatológicas seguem as normas de segurança exigidas, o que tem custos. É o custo da qualidade e da segurança de um procedimento bem realizado.
5) Saiba o que vai ser realizado em você: se for toxina e preenchimento, procure saber a marca. Se for laser, qual o equipamento. Procure saber sobre efeitos colaterais, complicações. Pois se acontecerem, você tem o direito de saber quem lhe dará o devido respaldo e tratamento;
6) Converse com pacientes do profissional que você procura. Bons profissionais costumam ter boa referência.

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