Varíola do Macaco , oque devemos saber?
Pessoal,
No último sábado, 23, a OMS decretou a varíola dos macacos como uma doença de emergência global. O alerta máximo foi acionado para que os países adotem ações coordenadas para combater os surtos da enfermidade que já somam, no mundo, mais de 16,8 mil contaminações notificadas em 74 países diferentes, segundo dados do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).
Com mais de 16 mil casos em 75 países (mais de 600 no Brasil), a doença provocou até agora cinco mortes e é transmitida principalmente no sexo, segundo estudo publicado esta semana no New England Journal of Medicine. A pesquisa avaliou 528 pacientes de 16 países e identificou que 95% das infecções ocorreram por meio do sexo. O estudo também mostrou que os pacientes têm apresentado sintomas anteriormente não relacionados ao vírus, como lesões genitais únicas e feridas na boca e no ânus, o que pode fazer com que a varíola dos macacos seja confundida com outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). É importante enfatizar que a varíola não é uma IST no sentido tradicional.
Ela pode ser adquirida por meio de qualquer tipo de contato físico próximo. No entanto, o trabalho sugere que a maioria das transmissões até agora está relacionada principalmente à atividade sexual, mas não exclusivamente, entre homens que praticam sexo com homens.
Apesar de ser principalmente transmitida no sexo, a varíola dos macacos não pode ser prevenida com o uso de camisinha, como ocorre em muitas ISTs. Isso porque o contágio acontece ao entrar em contato com secreções das lesões na pele da pessoa com a doença ou por gotículas de saliva liberadas ao falar, beijar, tossir, espirrar. A transmissão ainda pode ocorrer pelo contato com objetos contaminados com fluídos das lesões do paciente infectado. Para reduzir o risco de infecção, deve-se evitar o contato próximo com a pessoa doente até que todas as feridas tenham cicatrizado, assim como com qualquer material que tenha sido usado pelo infectado. Também é importante a higienização das mão, lavando-as com água e sabão ou utilizando álcool gel.
Atualmente, não há vacina disponível que atue diretamente contra a varíola dos macacos. As que existem, e que já estão sendo usadas em alguns países pelo mundo contra o vírus monkeypox, como nos Estados Unidos, são imunizantes contra a varíola humana.
O epidemiologista Jesem Orellana, pesquisador da Fiocruz Amazonas,acredita que precisaremos de uma vacina contra a monkeypox no Brasil, mas para grupos vulneráveis, e não como rotina na população geral.
Contudo, ele entende que, a curto prazo, é importante que as autoridades adotem medidas de prevenção, como aperfeiçoamento no diagnóstico laboratorial de ponta em regiões mais vulneráveis, como na Amazônia e na região Nordeste do Brasil; e investimentos para campanhas de prevenção, treinamento de trabalhadores de saúde, além do rastreamento de casos confirmados e suspeitos em locais como aeroportos e rodoviárias.
Desde o início da década de 80, depois que a varíola foi erradicada, que o Brasil não imuniza a sua população contra a doença. O que significa que uma grande parcela das pessoas, sobretudo os que estão abaixo da faixa dos 45 anos, não está protegida contra o vírus. E as que estão, segundo os especialistas, não se pode afirmar com certeza se o imunizante adquirido há décadas vai funcionar nos dias de hoje.
A Comissão Europeia aprovou a extensão da vacina Imvanex, do grupo farmacêutico Bavarian Nordic, contra a propagação da varíola dos macacos, anunciou o laboratório dinamarquês nesta segunda-feira (25).
A vacina Imvanex é comercializada como Jynneos nos Estados Unidos, onde tem licença contra a varíola dos macacos desde 2019. É o único fármaco com autorização para atuar na prevenção da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, as negociações para compra dos imunizantes estão sendo feitas de forma global com o fabricante para ampliar o acesso ao imunizante para os países onde há casos confirmados da doença.
Em nota, a pasta ressaltou que a vacinação em massa não é preconizada pela OMS em países não endêmicos para a enfermidade, como é o caso do Brasil. A recomendação, até o momento, é que sejam imunizadas pessoas que tiveram contato com casos suspeitos e profissionais de saúde com alto risco ocupacional diante da exposição ao vírus.
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